segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

AVISO! Empreendedorismo - Não é para todos!


Ouvi na semana passada um caso sobre uns funcionários de uma empresa que diziam que podiam fazer melhor do que o empreendedor que criou a empresa. Pode ou não ser verdade, no entanto já tive dois casos destes nas minhas empresas, que criaram as suas próprias empresas pensando que seria fácil e não duraram mais do que 1 ano.

Muitos entre nós sonham um dia ter a sua própria empresa. Vários dos leitores que estão a ler esse post já o fizeram. Mas vou dizer uma verdade:

PARA 95% DAS PESSOAS O EMPREENDEDORISMO NÃO É A OPÇÃO CERTA

O erro que vejo muitas vezes é que quem trabalha por conta de outrem pensa desta forma: ”sou um bom [designer/técnico/gestor] e consigo fazer isso melhor do que o meu patrão”.

O que se esquecem é que nesse momento estão dedicados exclusivamente a uma só actividade e, provavelmente, fazem-no muito bem. Porém, ao passar para o lugar de empreendedor vão fazer muito menos do que fazem bem e gostam de fazer, porque têm ao mesmo tempo de gerir a empresa, motivar o pessoal, tratar das burocracias, resolver todos os problemas, etc., etc.

Ao lançar um negócio próprio muitos descobrem que não é o caminho certo para eles, e normalmente já é tarde demais.

Por isso antes de lançares um negócio pergunta a ti próprio:

  • Estou disposto a trabalhar 4-7 anos com pouca remuneração antes de chegar ao sucesso que tenho em mente?
  • Consigo trabalhar 6-7 dias por semana, 60-80h horas por semana, durante anos?
  • Trabalho bem sozinho ou necessito de uma equipa (o patrão nunca faz parte da equipa)
  • Consigo sobreviver sem salário estável e meses sem me pagar qualquer salário sempre que não há dinheiro para o pagar?
O milionário médio nos Estados Unidos tem 3,2 falências antes de chegar ao sucesso. Em Portugal normalmente desistimos na primeira.

Espero ter conseguido fazer alguns dos leitores pensar e ajudado a evitar um grande erro, que podia ter causado vários anos de stress, angústia, e perdas financeiras.

Para quem ainda está convicto, mesmo assim, que é o caminha certo… teres a tua própria empresa é a melhor coisa que há!

Bons Negócios!
Robert

.
.

12 comentários:

NETWORK disse...

Mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois para mim, vencer é nunca desistir

Maria Delgado disse...

I have been pondering on exactly the same subject for two years now... and in addition you have to consider the lack of support from a spouse and to put at risk your children's future as well as yours. Thank you for this very insightful article.

Robert Boogaard | CEO disse...

Maria, excelente comentário e um que de certeza deveria ter incluído (talvez não o fiz porque tenho a sorte ter uma mulher que me apoia muito e ainda não tenho filhos). O empreendedorismo mete uma grande pressão sobre a vida da família e é preciso tomar isso também em conta.

Obrigado!

Antonio Taquelim disse...

O artigo suscita-me um ou dois comentários que não resisto a fazer.
Em primeiro lugar parece-me redutor considerar que apenas 5% das pessoas não têm o devido espírito empreendedor ou, talvez pior ainda, não têm capacidade para tal. É verdade que o sistema educativo (aqui e, de acordo com alguns experts na matéria, de um modo geral no mundo inteiro) não ajuda a desenvolver capacidades nesse sentido, antes continua dirigido para um mercado saído da revolução industrial e que está completamente ultrapassado).
Por outro lado, as questões que coloca no artigo relativamente à "disponibilidade" do potencial empreendedor, parece-me secundárias. Antes de mais porque quem deseja iniciar o seu projecto, normalmente está de "alma e coração" com ele. E, como diz o ditado popular "quem corre por gosto não cansa". O grande problema que vejo para quem pretende aventurar-se no mundo dos negócios (e vou-me centrar em Portugal porque é este o mercado em que vivo e que melhor conheço), diz respeito às enormes dificuldades financeiras que esperam o empreendedor. A menos que se trate de alguém com elevados fundos, dificilmente alguém consegue suportar, sem financiamentos bancários, os crónicos atrasos de pagamentos que são regra em Portugal. Estou mesmo convencido que a esmagadora maioria das pequenas empresas que se criam em Portugal não vingam por graves problemas de tesouraria que as impede de honrar os seus compromissos. E este, a par com outros factores, talvez seja o aspecto que o candidato a empreendedor tenha que analisar com mais cuidado antes de embarcar na sua aventura.

Anónimo disse...

Não desistimos à primeira não. Nos Estados Unidos após uma falência o empresário pode ressurgir em menos de dois anos, qual FÉNIX empreendedor, de "registo limpo" e ficha bancária em branco. Em Portugal, após uma falência, tornaste um "intocável" e passados 20 anos, ainda recebes avisos dos Serviços de Finanças. Quanto à banca, passados anos e anos, ainda terá para ti e para os teus assuntos, linguagem de "boi": Hhuuummmmmm....

Robert Boogaard | CEO disse...

Obrigado António pelo óptimo comentário.

Acho que é preciso aqui distinguir uma coisa. Quase todas as pessoas têm o espírito empreendedor e muitas as capacidades também. Não é isso que estou a dizer. Estou a dizer que para menos de 5% é a opção certa. Há muitos exemplos de quadros altos em grandes empresas lançarem o seu próprio negócio e falharem porque estão habituados a ter uma grande equipa de apoio, e não gostam trabalhar sozinhos e ser responsáveis para todo. Mas podem aplicar o espírito empreendedor dentro duma grande empresa a serem 'intrapreneurs'.

Quando uma pessoa descubra que não é a opção certa é a pior coisa e normalmente já é tarde demais. Estão dentro do seu próprio negócio e já não é possível sair. Muitas das vezes causa anos de sofrimento. Nível da disponibilidade, concordo outra vez. Há muitos que 'correm por gosto' e por isso não se cansam. Só muitos pensam que vão correr 5km. Quando descubram que é uma maratona perdem a vontade.

Eu recebo muitos planos de negócios e normalmente após o primeiro ou segundo ano as empresas estão a ganhar muito e o empreendedor é rico. Na realidade estamos muitas das vezes a falar de 4-7 anos, e há muitos que não têm a persistência para isso.

Finalmente em relação as dificuldades de financiamento e problemas de tesouraria, fazem parte do terreno desse paraíso para empreendedores que é o Portugal. Já vivi em vários países e acho que, a não ser que procuras vários milhões para lançar uma empresa, é mais fácil encontrar financiamento cá do que no estrangeiro. Pode haver menos dinheiro, mas a concorrência para a mesmo é muito menos forte.

Aconselho te também ler o meu post 'Cash is King'

Anónimo disse...

Caríssimos:

Tendo eu estado já estado num projecto que não sobreviveu, quero partilhar convosco em duas ou três frases o porquê do meu insucesso.
É verdade que a conjuntura não ajudou, é verdade que as burocracias e os atrasos nos pagamentos não ajudaram, bem como a falta de qualificação dos recursos. No entanto, o principal problema foi simples: "Eu não sabia que não sabia!". Apesar de ter feito planos de negócios, de ter estudado a realidade, concorrentes, etc, cheguei à conclusão que não fazia ideia de como gerir um negócio daqueles (não é relevante qual). Só quando passei a "saber que não sabia" pude aperceber-me que não iria conseguir e que apenas estaria a desperdiçar capital.
Quase 100% dos exemplos com que convivo e com quem partilho experiências ficam a dever-se, na sua essência a este facto.
Soluções? Não as há. No entanto, todo o trabalho é pouco no sentido de chegarmos a este estado de consciência ANTES de iniciarmos o negócio, pois só assim saberemos se temos ou não condições para dar o pontapé de saida!

Tiago Palhoto - Remax Latina

Robert Boogaard | CEO disse...

Olá Tiago,

Muito obrigado pelo teu comentário. É refrescante ouvir alguém ousar falar do fracasso. Os fracassos fazem parte da vida do empreendedor. Como tu dizes, é só assim que chegas a aprender aquilo que não sabias antes. É mesmo por isso que o médio milionário nas EUA tem 3,2 falências antes de chegar ao sucesso.

Um abraço,
Robert

Monteiro disse...

Olá,

Em Portugal infelizmente, a pessoa que leva o seu negócio à falência é visto como um "coitado" que não conseguiu, ou seja, ele devia ser visto como alguém que ousou e ser um exemplo com algo mais dos que ainda não tentaram.

O sistema educativo é apenas uma desculpa para a realidade. Todos sabemos que a educação começa em casa. São os pais que mudam a visão que os filhos têm do mundo, por isso é que filho de empresário tem muito mais hipóteses de ser empresário. :)
Não digo que o próprio sistema não tem falhas, mas acredito que somos nós como Pais que temos que usar "remendos" nos nossos filhos :)

Obrigado pelos comentários de todos.

cumprimentos
Hugo

Robert Boogaard | CEO disse...

Concordo Hugo com o teu comentário sobre o atitude em Portugal em relação ao fracasso, uma parte essencial do empreendedorismo. Tem de ser mudado, e precisa de todos nós para fazer o.

Por isso vou fazer uma palestre no TEDxAveiro sobre este tema, chamado: 'Celebrating Failure'

ana sales disse...

boa noite cheguei um mes atrasada mas gostei muito de vos ler... a todos ...

bons negocios

e ja agora é só pa dizer:
aki vou eu arrancar com a minha primeira experiencia empresarial, porque eu quero arriscar, quero criar e recriar, quero deitar tudo ca fora sejam quais forem as consequencias
uma coisa eu sei se nao o fizer vai doer muito mais...

E ando em estudos, analises financeiras, simulaçoes, enfim, à 6 meses... e todos os dias sinto um frio na barriga, mas quando coloco a lente no objectivo, nos projectos a desenvolver, na rede que é necessario montar, vale a pena o esforço...

ARRISQUEM

Robert Boogaard | CEO disse...

Parabéns Ana! Boa sorte com o teu projecto.

Enviar um comentário